https://www.youtube.com/watch?v=L284kv3uJuY
Abraço!
O Motor Bedini é um projeto bastante conhecido entre experimentadores de eletrônica, principalmente por utilizar pulsos elétricos para acionar um rotor com ímãs e, ao mesmo tempo, aproveitar os efeitos elétricos produzidos pelas bobinas.
O sistema foi desenvolvido e patenteado por John Bedini e, ao longo dos anos, ganhou diversas versões e adaptações feitas por pesquisadores e experimentadores independentes.
Neste artigo vou mostrar alguns dos conceitos envolvidos no motor Bedini, incluindo o funcionamento das bobinas, o circuito de pulsos, a força contraeletromotriz (FCEM) — também conhecida pela sigla BEMF, de Back Electromotive Force — e algumas das aplicações que desenvolvi a partir dessa ideia.
De forma simplificada, o Motor Bedini utiliza:
um rotor com ímãs permanentes;
uma ou mais bobinas;
um circuito eletrônico de acionamento;
uma bateria ou fonte de alimentação;
e, dependendo da configuração, uma segunda bateria para receber os pulsos elétricos.
Uma das características que torna esse sistema interessante para quem gosta de eletrônica experimental é que a bobina não é utilizada simplesmente como parte de um motor convencional.
O circuito faz o acionamento da bobina em pulsos, sincronizados com a passagem dos ímãs pelo núcleo. Quando a corrente que circula pela bobina é interrompida, ocorre um fenômeno elétrico conhecido como força contraeletromotriz (FCEM).
É justamente esse comportamento que torna o circuito Bedini interessante para estudo e experimentação.
Quando uma corrente circula por uma bobina, ela cria um campo magnético.
Ao interromper rapidamente essa corrente, o campo magnético também entra em colapso. Como consequência, a bobina produz uma tensão de sentido contrário à alteração que provocou esse colapso.
Esse fenômeno é conhecido como:
FCEM — Força Contraeletromotriz
Em inglês:
BEMF — Back Electromotive Force
Dependendo do circuito utilizado, esse pulso de tensão pode atingir valores muito superiores à tensão que estava sendo aplicada originalmente à bobina.
No Motor Bedini, o circuito pode ser projetado para direcionar esses pulsos para outra parte do sistema, inclusive para uma bateria secundária.
Isso não significa que exista geração gratuita de energia. O interesse do projeto está principalmente na maneira como energia elétrica, campo magnético, comutação e pulsos de alta tensão interagem dentro do circuito.
Para quem gosta de eletrônica, é um excelente sistema para estudar na prática o comportamento de indutores e circuitos de comutação.
Abaixo está um dos esquemas associados ao projeto original de John Bedini.
Esse esquema pode servir como ponto de partida para quem deseja entender a configuração básica e fazer suas próprias experiências.
É importante lembrar que existem muitas versões e adaptações do Motor Bedini. Portanto, os circuitos encontrados na internet podem apresentar diferenças importantes na quantidade de bobinas, transistores, sensores, baterias e na forma de direcionamento dos pulsos.
Na época em que desenvolvi meus próprios experimentos, também recebi este desenho feito pelo meu amigo Nelson.
Encontrei essa imagem novamente em meus arquivos e decidi preservá-la aqui porque ela mostra de maneira bastante interessante a configuração do sistema.
Obrigado, Nelson, por esse maravilhoso desenho!
Uma das configurações mais interessantes para estudar é aquela em que temos uma bateria primária, responsável por alimentar o circuito, e uma bateria secundária, que recebe os pulsos produzidos durante o funcionamento.
Essa configuração permite estudar na prática o comportamento da energia armazenada no campo magnético das bobinas e o que acontece quando esse campo é interrompido.
Um exemplo que desenvolvi foi a adaptação do sistema para um ventilador.
Nesse caso, o ventilador utiliza a energia da bateria primária para funcionar enquanto o circuito Bedini trabalha com os pulsos produzidos pelas bobinas.
O objetivo desse experimento foi justamente estudar uma aplicação prática do sistema, em vez de utilizá-lo apenas como um motor experimental.
É comum encontrar na internet explicações sobre o Motor Bedini relacionadas a “energia livre” ou geração de energia.
É importante separar as coisas.
O fenômeno elétrico observado nas bobinas é real e pode ser estudado e medido. A FCEM/BEMF ocorre quando a corrente em um indutor é interrompida e pode produzir um pulso de tensão significativo.
Porém, isso não significa que o circuito produza energia sem uma fonte de energia.
O que torna o experimento interessante é estudar como esses pulsos podem ser aproveitados dentro de um circuito eletrônico, especialmente em sistemas que utilizam baterias e cargas pulsadas.
Para quem trabalha com eletrônica, esse é justamente um dos aspectos mais interessantes do projeto.
Depois dos primeiros experimentos, fui desenvolvendo outras aplicações e modificações do sistema.
Uma delas foi o Ventilador Ressonante Bedini Magnetron, uma adaptação que procurei transformar em uma aplicação mais prática do conceito.
Esse projeto surgiu justamente da tentativa de levar o conceito do Motor Bedini para uma aplicação real, utilizando o princípio de acionamento por pulsos e explorando o comportamento das bobinas e do circuito.
Se você quiser conhecer essa evolução do projeto, veja também:
https://kadumagalhaes.blogspot.com/2019/09/projeto-magnetron-10-ventilador.htmlSe você chegou até aqui porque está procurando como fazer um Motor Bedini, um esquema do Motor Bedini, um circuito Bedini ou simplesmente quer experimentar esse sistema, vale a pena conhecer o projeto que desenvolvi a partir desses estudos.
Tenho materiais e projetos de eletrônica que mostram na prática como trabalho com esse tipo de circuito.
Se quiser conferir a postagem mais recente deste proejto acesse https://kadumagalhaes.com/kit-motor-bedini-impressao-3d/
O Motor Bedini continua sendo um projeto interessante para quem gosta de experimentar com eletrônica, motores, ímãs, bobinas, baterias e circuitos de pulsos.
Mais do que simplesmente tentar reproduzir um circuito encontrado na internet, o interessante é entender o que acontece em cada etapa: o acionamento da bobina, a interrupção da corrente, o surgimento da FCEM/BEMF e o comportamento dos pulsos no restante do circuito.
É justamente nessa parte que o projeto se torna uma excelente experiência de eletrônica prática.